O paraíso é o vazio, a satisfação no silêncio... O que vive longe. Amanhã vai ser outro dia, canta o saudoso Chico, ontem foi outra noite. Noite de submarino, frio e chuva, calor e samba, apesar de você amanhã há de ser outro dia. Amanhã talvez eu cante com um sorriso maior, joelhos dobrando e ponta dos pés no agito... pretensão do samba de embriaguez, zeros infinitos na conta bancária. Nesse momento daria qualquer explicação conveniente, et cætera e tal. Felicidade cantada, alvoroço em vida normal, crueldade na ilusão de improcedência. Cantei noite passada... Qualquer atenção restante ao companheiro líquido com nome espanhol. O sono chegou deslocando metros cúbicos de ar, empurrou os ombros, inflou pulmões. O rosto de encontro ao primeiro conforto. O paraíso é o vazio, vazio.
(Anotações em quarto de Hotel - Sem ilustração - Raphael Payayázes.)
O vazio é o que buscamos.
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