segunda-feira, janeiro 10

- "Mirante"

O primeiro risco luminoso ascendeu entre as outras ainda  fixas. Pensei que se estrela sonhasse... Seria com o desejo de riscar todo o céu.



(Pensamento de mirante em madrugada estrelada - Sem Ilustração - Raphael Payayázes)

quarta-feira, janeiro 5

- "Diz"

Distância é assunto recorrente, passeio de comparações, texto de segunda escrito em quarta-feira. Distância é fenômeno que árvore só alcança com galho, e com sorte... folha amarela viajando em vento norte. Distância não existe aqui, não faz jus ao nome. Distância é sinônimo para saudade, é reforço para motivação. Distância é sentimento, vem com força de choro. Influência de sorriso. Quem não percebe distância... Não canta, não sonha, não deseja conhecer. Distância.



(Anotações em quarto de Hotel - Sem Ilustração - Diz, Raphael Payayázes.)

segunda-feira, janeiro 3

- "Bastidores"

O paraíso é o vazio, a satisfação no silêncio... O que vive longe. Amanhã vai ser outro dia, canta o saudoso Chico, ontem foi outra noite. Noite de submarino, frio e chuva, calor e samba, apesar de você amanhã há de ser outro dia. Amanhã talvez eu cante com um sorriso maior, joelhos dobrando e ponta dos pés no agito...  pretensão do samba de embriaguez, zeros infinitos na conta bancária. Nesse momento daria qualquer explicação conveniente, et cætera  e tal. Felicidade cantada, alvoroço em vida normal, crueldade na ilusão de improcedência. Cantei noite passada... Qualquer atenção restante ao companheiro líquido com nome espanhol. O sono chegou deslocando metros cúbicos de ar, empurrou os ombros, inflou pulmões. O rosto de encontro ao primeiro conforto. O paraíso é o vazio, vazio.




(Anotações em quarto de Hotel - Sem ilustração - Raphael Payayázes.)